PEDRO RODRIGUES COSTA
DA INTRODUÇÃO
"Por isso a reflexão sobre a importância da forma social do Ingénuo, do Exótico, da Partilha, do Esgazeado e do Mendigo, formas capazes de mostrar por um lado a importância da transversalidade que hoje tanto se exige para solucionar problemas locais e globais, mas por outro destapando paradoxos, aqueles tais movimentos dualistas que embora os esforços das sínteses culturais os tentem eliminar, nunca abandonam o movimento de progressividade humana. Por outro lado, a importância da mutação de formas sociais como o Especialista, o Industrial, o Empreendedor e a interpenetração constante entre o Político e o Económico. Daí a importância agregadora do texto «Como é possível a cultura?», pois só percebendo como é possível a sua contínua renovação e (re)invenção se facilita o entendimento das mutações culturais e das reconfigurações sociais."
DO EXÓTICO
"é estranho em relação ao comum; diferente em relação ao normal; mas no entanto agrega todo o mistério do diferente e do estrangeiro, apelando a mais uma contribuição para a construção do mosaico fragmentário, plural e politeísta que a contemporaneidade tanto exige."
DO ESPECIALISTA
"A tecnologia transformou-nos mais em utilizadores e menos em especialistas. Utilizadores mercenários, tarefeiros capazes de executar e criar individualmente sem a necessidade de muitos pré-conhecimentos. A simples intuição gerada pelas novas tecnologias é suficiente para poder colocar o utilizador no lugar de autor. Isso tornou a forma social do especialista por um lado mais laica em relação à ciência, quer dizer, separado da sua essência. E por outro mais propenso a ceder o lugar à forma do transdisciplinar ou do ecosófico"
DO EMPREENDEDOR
"o empreendedor enquanto criador de algo com valor não é propriamente um artista. Não é arte que ele cria. Ao contrário do artista, que cria arte através da ideia que nasce da sua percepção interna e estética (algo que podemos até englobar na sua inteligência emocional), o empreendedor cria algo a partir da sua inteligência social e sintética, da sua captura de sinais sociais que flutuam tanto à superfície como no subterrâneo das sociedades. (...) Enquanto o fim último deste foi sempre o desenvolvimento económico, desenvolvimento esse sempre incapaz de satisfazer a incessante sede humana de poder e domínio, há uma expressão social que pretende orientar o empreendedor para um criador de outra coisa que não a coisa do passado. Essa é a forma que provém do conectivismo, do ecosófico, do solidário e do plural que hoje pretende emergir colada à do empreendedor."
DO PARTIDO POLÍTICO
"Como na caixa-partido ou se está dentro ou fora, a favor ou contra, quem com ela se dinamiza facilmente entra nesse jogo e fica dentro ou fora, ligado ou desligado. Tudo o que colide ou entra na lógica de uma caixa fica assim, diante dos seus limites e limitado por eles."
COMO É POSSÍVEL A CULTURA?
"Ela é, assim, independente da vontade alheia e singular, mas abarca essas vontades, uma a uma, conferindo-lhes um espaço ora metafísico ora concreto de identificação para com o todo ou para com as partes."
De como foi possível o homo-conectadus?
" Das várias formas e conteúdos adjacentes, neste período histórico do ocidente, o homo-conectadus é aquela força que momentaneamente mais interfere com as forças que no passado recente se encontravam estabilizadas, pois mediado, reticular e conectado permanentemente interfere com todas as dimensões da existência social. "
DA PARTILHA
"a pretensão pela igualdade no fluxo dar/receber promoveu a não liberdade; a força da liberdade neste mesmo fluxo anulou a igualdade; e a força da fraternidade permitiu o aparecimento do repetível e do diferente pela assimetria."
DO INGÉNUO
"Ao contrário dos outros, o ingénuo sente mais a força das quantidades positivas do que a força das quantidades negativas. Como é sabido, as coisas negativas têm um impacto maior nas emoções e nas estruturações sociais do que as coisas positivas. Mas no ingénuo não: a sua crença desmedida nos outros leva-o a acreditar no lado positivo das acções e intenções. Isso transforma-o numa força positiva e produtiva, facilmente controlada e dominada pelos hábeis produtores de ingenuidades. Por isso é que os líderes autoritários sempre forçaram o povo rumo à ingenuidade".
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